
António do Porto*
António Cagica Rapaz
Não sei qual a relação entre ele e o porto, mas a seu lado estamos sempre ao abrigo da tristeza.
– Ó António, não vais aos touros?
– Oh, ver um espectáculo tão bárbaro?
Diálogo que se retoma a cada passo, com a réplica bem humorada do António que logo salta com a agilidade de um jovem quem ele será até ao fim.
Na sua simplicidade, com a sua permanente boa disposição, um sorriso que lhe vai de orelha a orelha (e que grandes são as orelhas e o sorriso) destacando ainda mais o a nariz altaneiro.
Numa das mãos as castanholas, na outra a gaita de beiços de onde saem marchas militares, valsas, viras e tudo quanto vier à borda.
Ultrapassado o cabo dos setenta anos, o António continua senhor de um corpo ágil, pleno de «ginástica» e, para ele, tudo é formidável.
Na Sesimbra boémia ele tem um lugar muito especial. Vive com alegria, vibra com a música, toca e dança, dança só ou com «ladies» da sua idade (mas não só). Porém o seu coração é puro, os dedos acariciam sem intenções ocultas. O António é um boémio com alma de criança. Ri, canta, dança e toca mas não toca no que não deve, não se aproveita da euforia e da confusão, não crava cigarros nem copos…
Todos conhecem o António Piedade Formidável do Porto e todos o estimam. Ele ficou mais só quando a sua companheira lhe faltou numa noite fria de um Natal que rasgou sulcos de lágrimas naqueles olhos que não sabiam chorar.
Nas noites quentes de Verão, o António senta-se à porta a olhar as estrelas e toca baixinho a gaita de beiços até adormecer com o seu sorriso de menino velho…
____________
Publicado no Jornal de Sesimbra, em 1974, na rubrica “Quando morre a madrugada – Retrato de uma Certa Sesimbra: Aos filhos da noite”.
António Cagica Rapaz
Não sei qual a relação entre ele e o porto, mas a seu lado estamos sempre ao abrigo da tristeza.
– Ó António, não vais aos touros?
– Oh, ver um espectáculo tão bárbaro?
Diálogo que se retoma a cada passo, com a réplica bem humorada do António que logo salta com a agilidade de um jovem quem ele será até ao fim.
Na sua simplicidade, com a sua permanente boa disposição, um sorriso que lhe vai de orelha a orelha (e que grandes são as orelhas e o sorriso) destacando ainda mais o a nariz altaneiro.
Numa das mãos as castanholas, na outra a gaita de beiços de onde saem marchas militares, valsas, viras e tudo quanto vier à borda.
Ultrapassado o cabo dos setenta anos, o António continua senhor de um corpo ágil, pleno de «ginástica» e, para ele, tudo é formidável.
Na Sesimbra boémia ele tem um lugar muito especial. Vive com alegria, vibra com a música, toca e dança, dança só ou com «ladies» da sua idade (mas não só). Porém o seu coração é puro, os dedos acariciam sem intenções ocultas. O António é um boémio com alma de criança. Ri, canta, dança e toca mas não toca no que não deve, não se aproveita da euforia e da confusão, não crava cigarros nem copos…
Todos conhecem o António Piedade Formidável do Porto e todos o estimam. Ele ficou mais só quando a sua companheira lhe faltou numa noite fria de um Natal que rasgou sulcos de lágrimas naqueles olhos que não sabiam chorar.
Nas noites quentes de Verão, o António senta-se à porta a olhar as estrelas e toca baixinho a gaita de beiços até adormecer com o seu sorriso de menino velho…
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Publicado no Jornal de Sesimbra, em 1974, na rubrica “Quando morre a madrugada – Retrato de uma Certa Sesimbra: Aos filhos da noite”.
Mais um António a fazer jus ao seu "Formidável" nome...
ResponderEliminarBOA NOITE, Ó MESTRE!
Formidáveis Antónios, de facto!
ResponderEliminarBoa noite, ó Mestre!!!