
Zé Brandão
António Cagica Rapaz
O jornal que recebi exibia uma fotografia tradicional, acompanhada do habitual testemunho de gratidão. Falecera José António Preto Júnior, o nosso Zé Brandão, velho mestre de armas, coronel das Índias que conduzia as tropas pela noite fora. Companheiro bem disposto, modelo de correcção e cordialidade, deve ter-se sentido muitas vezes alvo de críticas fundadas em preconceitos postiços. Um homem daquela idade, diziam as almas piedosas e pudicas, devia era ter juízo e não andar naquelas vidas. Bem ele fez ao aproveitar os últimos anos para respirar a plenos pulmões a alegria bonacheirona da boémia singela da companha que embarcava na traineira da Marisqueira, lançava redes no Chagas e atracava no Espadarte Clube. Muitos dos que criticavam passavam as mesmas noites em convés de fumo, batendo as cartas em sintéticos de má sorte...
António Cagica Rapaz
O jornal que recebi exibia uma fotografia tradicional, acompanhada do habitual testemunho de gratidão. Falecera José António Preto Júnior, o nosso Zé Brandão, velho mestre de armas, coronel das Índias que conduzia as tropas pela noite fora. Companheiro bem disposto, modelo de correcção e cordialidade, deve ter-se sentido muitas vezes alvo de críticas fundadas em preconceitos postiços. Um homem daquela idade, diziam as almas piedosas e pudicas, devia era ter juízo e não andar naquelas vidas. Bem ele fez ao aproveitar os últimos anos para respirar a plenos pulmões a alegria bonacheirona da boémia singela da companha que embarcava na traineira da Marisqueira, lançava redes no Chagas e atracava no Espadarte Clube. Muitos dos que criticavam passavam as mesmas noites em convés de fumo, batendo as cartas em sintéticos de má sorte...
O Zé Brandão era o chefe de fila de uma velha guarda bem humorada e sem outra pretensão que não fosse rir e dar ao pé, sem convicções ilusórias de conquistadores de fotonovela barata.
Fica para a história local a epopeia, o mano a mano arrebatado entre o Zé Brandão e o Ernesto Corneta na rábula da peixaria e da oficina. E ficam na memória de todos nós o sorriso permanente e a figura simpática do velho mestre. O Zé Brandão continua a ser cá dos nossos...
1982
1982
Calculo que o Zé Brandão, pela descrição aqui feita, tivese sido membro destacado daquela sociedade pouco secreta a que alguns chamaram "Filhos da Noite"...
ResponderEliminarAnos passados, cabe-nos agora a nós pegar nas palavras finais deste texto para afirmar sem hesitações:
O Tó Mané continua a ser cá dos nossos...
BOA NOITE, Ó MESTRE!
E sempre o será!!!
ResponderEliminarBoa noite, ó Mestre!!!