
Forno*
António Cagica Rapaz
Quando Sesimbra acordou para a boémia, todos os caminhos conduziam ao Forno. Em frente da cocheira do Zé Dolfo, símbolo de um provincianismo a quatro patas, o Forno abriu as suas portas para um mundo novo: o mundo da noite.
Os turistas invadiram Sesimbra, agarraram os indígenas pelo braço e iniciaram-nos nos ritmos novos, nas luzes indirectas que conduzem directamente a ritos novos de artes antigas.
No «Forno», paixões ardentes cresceram e só se apaziguaram na areia morna da Califórnia. Por vezes, a Dona Ernestina batia lá de cima, mas a música não pode parar. O Forno ficou na história de Sesimbra by night, como pioneiro e como expoente mais alto.
Hoje restam as cinzas. A figura simpática do Vítor Marques não mais enquadrará o bar. O Forno arrefece lentamente...
Junho de 1974
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* Publicado no Jornal de Sesimbra, na rubrica "Quando morre a madrugada - Retrato de uma Certa Sesimbra: Aos filhos da noite".
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